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Os números consolidados de 2007 da indústria eletroeletrônica divulgados este mês pela Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) apontam para um vertiginoso e perigoso aumento do déficit da balança comercial do setor. Em 2007, foram exportados US$ 9,3 bilhões e importados US$ 21 bilhões. Déficit de US$ 14,5 bilhões, 41% maior do que registrado em 2006, de US$ 10,5 bilhões. Para 2008, as projeções não são nada animadoras, quando a entidade estima um novo incremento no déficit da balança comercial de 40%, ou seja, saldo líquido negativo entre exportações e importações de US$ 20,6 bilhões. Ao se buscar entender as razões desse descompanso, não se pode deixar de apontar para a política de privatização do setor de telecomunicações, iniciada há 10 anos, que, se por um lado conseguiu ampliar consideravelmente a oferta de serviços, por outro, não traçou qualquer estímulo ao desenvolvimento de tecnologias nacionais. A industrialização do setor fiou-se apenas na importante, mas limitada, política de estímulo à fabricação local de produtos, em troca de incentivos fiscais. Exaustão
Mesmo levando-se em consideração que os principais geradores do déficit setorial são também os motivadores da fabricação local, o forte incremento das importações de produtos acabados de telecomunicações demonstram, porém, que essa política começa a dar sinais de exaustão. Os semicondutores continuam a ser os produtos mais importados pelas indústrias do setor (US$ 3,423 bilhões no ano passado), seguidos pelo forte incremento na importação de componentes para informática (US$ 3 bilhões, aumento de 42%). A importação de componentes para telecomunicações também cresceu, mas em menores proporções – 9% - atingindo US$ 2,650 bilhões. Enquanto isso, a importação de bens finais de telecomunicações cresceu 64% frente a 2006, alcançando US$ 2 bilhões. Ao mesmo tempo, houve uma queda de 22% nas exportações de telefones celulares, o principal item da pauta de vendas externas do segmento, somando US$ 2,1 bilhões. Mercado interno Mas se as exportações caíram, o mercado interno mostrou-se vigoroso e foi ele o responsável pelo crescimento de 4% no faturamento da indústria de telecom, que somou receitas de R$ 17,465 bilhões no ano passado. Foram fabricados aqui, no ano passado, nada menos do que 68 milhões de aparelhos celulares, dos quais 45 milhões ficaram nas mãos de nossos consumidores, incremento de 32% frente a 2006. O problema, contudo, é que dessa montanha de aparelhos vendidos aqui dentro ou lá fora não há uma única tecnologia nacional. (Os bons exemplos na área de software não estão aqui considerados, por não fazerem parte dos números da entidade). Se o país perdeu a chance com a telefonia celular de segunda geração, tem a oportunidade agora de se reposicionar para as novas evoluções tecnológicas como 3G, 4G, e com as novas alternativas sem-fio, como WiMAX, Mesh, etc. Diferentes são os intrumentos que podem ser usados – incentivos fiscais, poder de compra, financiamentos, etc. - para fazer com o que o país crie tecnologias que atendam a seu povo e ao mercado externo. Mas o que precisa mesmo é decisão de governo. A nova política industrial será anunciada em abril. Vamos torcer. |